sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Anos 80, Sucessos Esquecidos - Take me Up


É
para mim um tanto ou quanto inexplicável, o facto deste bem disposto "Take me Up", exemplo daquilo a que se convencionou chamar "Italo-disco", ser hoje um quase obscuro "one hit wonder".

Raramente se ouve nos flasbacks dos fm's das rádios, nem tem sido considerado para fazer parte das inúmeras compilações dedicadas aos Anos 80.

E no entanto, acho, sempre achei, este tema inebriante, imagem de marca dos italianos Scotch, que também fizeram muito sucesso com um tema dançante e... expectorante ("Disco Band").

Estávamos em 1985, tinha eu 14 aninhos, e cantava o dia todo
"You take me up with anything
You take me up with anything!"

Sede de Viver II

Séries Inesquecíveis - Soldados da Fortuna


Tudo começava com esta magnética sinopse:

"Em 1972, uma equipa de comandos foi condenada em tribunal militar por um crime que não cometeu. Mais tarde, acabaram por fugir de uma prisão de segurança máxima para o submundo de Los Angeles.
Hoje, perseguidos pelo governo, eles sobrevivem como 'Soldados da Fortuna'.
Se tiver um problema, se mais ninguém o puder ajudar e se os conseguir contactar, então talvez possa contratar os... 'Soldados da Fortuna'".

Esta série inesquecível (no original "The A-Team") marcou a década de 80, graças a grandes histórias repletas de acção e humor.

Por mais complicada que fosse a missão do also know as "Esquadrão Classe A", era garantido que a mesma acabava com a marca de sucesso e com a frase do mítico George Peppard na pele do Coronel
John “Hannibal” Smith:
“Adoro quando um plano dá certo”.

George Peppard faleceu em 1994 aos 66 anos, mas há que recordar também o galã das séries dos Anos 80, Dirk Benedict (
Tenente Templeton "Faceman" Peck), actualmente com 64 anos e que que encarnou o inolvidável "Starbuck" de outra mítica série dos Anos 80, "Battlestar Galáctica".

O grupo incluía ainda os músculos de Mr. T, aliás "B. A. Baracus" (faz 58 anos em Março), a esquizofrenia de "Murdock" (o actor Dwight Schultz, 62 anos feitos em Novembro) e a beleza de
"Amanda" (a actriz Melinda Culea, com o seu 55º aniversário marcado para Maio).

A série deverá ser transposta para cinema brevemente.
Mal posso esperar para ver aquela carrinha preta num grande ecran.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Sede de Viver

FLASHES REVIVAL - A Televisão na Sala da Avó


Lembro-me que naquele tempo havia uma televisão a cores na sala da casa da minha avó.

Entre 1981 e 1983 frequentei o 5º e o 6º ano de escolaridade no Ciclo Preparatório do Pinhal Novo, naqueles que considero os melhores anos de sempre na longa maratona de estudos.


Segundo me recordo, o horário no ciclo era mais preenchido na parte da manhã (uma constante nos anos seguintes) a que se seguia o almoço na casa da minha avó Catarina.


Um tempo de pausa no estudo que reconfortava espírito e estômago, em especial quando do menu constava um bom bife com puré de batata, então sempre caseiro, e com um apurado gosto a noz moscada, nham, nham.


E quando tinha mais tempo livre via televisão.


Confesso que não restam muitas imagens televisivas do início dos anos 80 na memória, mas lembro-me de seguir uma novela brasileira que a RTP transmitia à hora de almoço, "Baila Comigo", uma das primeiras obras escritas por Manoel Carlos (o mesmo de "Viver a Vida" em exibição na SIC) e também uma das primeiras a recorrer ao exasperante tema do gémeo bom e do gémeo mau (na altura Tony Ramos como "João Victor" e "Quinzinho").

Há também o mítico Brasil x Itália no Campeonato do Mundo de 1982, que merecerá um post mais tarde.

E claro, uma das primeiras transmissões globais da história da televisão, o casamento de Carlos e Diana em 1981.


O príncipe das orelhas grandes e a lourinha Diana Spencer casaram a 29 de Julho de 1981, uma quarta-feira, e eu fui umas das 800 milhões de pessoas que espreitou pela televisão.


Com todo o poder crítico dos meus 10 anos, perguntava-me porque razão um casamento de dois príncipes ingleses provocava tanto interesse à escala global, mas lá assistia às milhares de vénias junto à Catedral de S. Paulo, onde os noivos chegaram num coche.


Mantenho as críticas à exaltação da plebe à escala global, mas tenho que admitir que aquele foi o casamento do Século XX e que nunca mais se viu nada assim.

Nómadas na Grande Alface

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

A Festa do Festival # 10 - Bem Bom


Início do nosso Top 10 das melhores músicas que passaram pelo Festival RTP da Canção.
Quando valia a pena sentarmo-nos no sofá para uma noite de boa música ligeira.

Este "Bem Bom", das incontornáveis Doce, merece um 10º lugar nas melhores de sempre.
Estávamos em 1982 quando estas sexy mosqueteiras arrebataram o 1º lugar com 182 pontos.
Na lista de concorrentes podíamos encontrar nomes como Marco Paulo, Cândida Branca Flor (o inesquecível "Trocas e Baldrocas"), Dina, Alexandra ou os Broa de Mel.

As meninas Fátima, Lena, Laura e Teresa também fizeram furor lá fora, mas não foram além do 13º lugar.
O costume.

A "Festa do Festival" regressa na próxima segunda-feira, com o nº 9 do top.

Sobe e Desce

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Anos 80, Sucessos Esquecidos - Here I Am

Lembra-se desta?
"Here I Am", dos Dominoe, um grupo alemão de um só sucesso, ou se preferir, one hit wonder.

Este assertivo tema de 1988 foi utilizado em vários spots publicitários um pouco por todo o lado.

Ao fim de tantos anos, voltei a ouvi-lo na M80, e aqui está ele, ao vivo e a cores, 22 anos depois.

E Depois o Tejo

Geração Tio Patinhas - Os Banquetes de Quadradinhos

Poderão achar a afirmação completamente idiota e infantil, mas as revistas de Walt Disney contribuíram para que nunca experimentasse drogas, álcool ou aquelas calças vermelhas que se usava nos anos 80.

A minha droga era a pilha de revistas Disney ainda por ler, que empilhava do lado esquerdo da minha cama; um pequeno Evereste de histórias em quadradinhos, por vezes da altura da própria cama.

A psiquiatria poderá explicar porque razão me dava mais prazer saber que aquela pilha estava ali, por ler, do que a leitura propriamente dita.
Será a mesma razão que me deixa aos saltos durante lautas refeições que incluem delirantes sobremesas no final.
Com consequências ainda por apurar.

E no que diz respeito à voragem de quadradinhos Disney, a esquizofrenia ditava as mesmas regras utilizadas em almoços e jantares:
O melhor fica para o fim.

Por isso, a pilha era encimada pelas revistinhas com menos páginas, um início leve como uma saladinha para entrada.

Primeiro os Patos Donald, os Zé Cariocas e os Patetas.
Depois os Mickeys, os Tio Patinhas, as Edições Extras e os Almanaques com 100 ou menos páginas.
A seguir os Almanaques Disney com as suas 130 páginas.
E por último, como um espectacular doce de casa com leite condensado, os Disney Especiais, com 220 e tal páginas, ou os mais antigos com 250 e tal.

Nem sempre me pertencia, esta autêntica pilha de crepes lambuzados.
Às vezes, chegava lá a casa como espólio de um amigo, depois de uma troca de revistas, que nos momentos mais pantagruélicos chegava a atingir os 30 ou 50 volumes.

Mas essa é uma história que fica para próximos capítulos.

Vassalagem ao Altivo

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Regresso à Máquina do Tempo


B
em, vamos lá a ver se é desta que escrevo neste blog com mais regularidade.
Em nome da nostalgia.

Vêm aí novas rubricas, já a partir de 21 de Janeiro:

A "Festa do Festival" inicia a semana, com o top 10 das melhores músicas que passaram pelo mítico Festival RTP da Canção. Um ranking subjectivo, porque representa apenas as minhas escolhas, mas que vai servir para recordar aqueles grandes êxitos da música ligeira portuguesa que marcaram a nossa infância.

E por falar nisso, e já que o meu cérebro insiste em presentear-me com flashes do passado em technicolor, datados sobretudo do período 1979-1982 (uma época onde fui imensamente feliz), resolvi trazer para aqui essas recordações.
Fica para as terças, esses "Flashes Revival".

Às quartas, as séries inesquecíveis da nossa televisão, quando só haviam dois canais.
Tempo de recordar a "Galáctica" ou os "Soldados da Fortuna", por exemplo, na rubrica "Pérolas da TV".

As quintas são para a "Geração Tio Patinhas" e é por aqui que se reinicia o blog.
Finalmente uma hipótese de, ainda que semanalmente, matar saudades com o universo das figuras de Walt Disney que toda a gente lia, em especial nas décadas de 70 a 90.
Há já alguns anos que não há revistas "Pato Donald", "Tio Patinhas" ou "Mickey" à venda em Portugal.
Mau de mais para ser verdade...

Faltam as sextas que ficam por conta dos "Sucessos Esquecidos dos Anos 80".
Imagine uma tarde no sótão, ou na cave, a limpar o pó dos velhos discos de vinil, recolocados naquela traquitana que já quase só se vê em feiras de antiguidades...
Gira-discos, era assim que se chamava.

Então, até depois de amanhã, quinta-feira, 21 de Janeiro.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Tieta


Uma das novelas brasileiras que deixaram mais saudades.
Produção da Globo em 1989, exibida um pouco mais tarde na RTP e depois em reposição na SIC, a novela é baseada na obra de Jorge Amado, "Tieta do Agreste", de 1977.

Em 1988, a actriz Betty Faria comprou os direitos da obra, vendidos depois à Globo, com a condição de ser a protagonista da história.

E fê-lo de forma inesquecível.


A adaptação de Aguinaldo Silva tornou ainda clássicos "os bonecos" de Joana Fomm (a víuva Perpétua), de Armando Bogus (Modesto) que celebrizou o "uh, uh, Carol, senta aqui", ou personagens como Amintas, Comandante Dário, Bafo de Bode, Elisa e Timóteo, Coronel Artur da Tapitanga, Tonha, entre outros.

José Mayer (Osnar) era o galã de serviço que deitava Tieta nas dunas do nordeste brasileiro.


Inesquecível ainda a banda sonora da novela, a começar por esta bela abertura já, já a seguir.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Mais Nostalgia Depois das Festas

A "Máquina do Tempo" regressa ao convívio dos internautas a 06 de Janeiro de 2010, com novas rubricas e muita nostalgia.
Esperamos por si em 2010, o ano da "Máquina do Tempo".

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Gabriela


Já tínhamos os cravos, símbolo da revolução um ano antes; a canela chegou depois, morena comme il faut.

O sotaque não era, de todo, francês, mas feito de sedução temperada nos trópicos que começava logo pelo nome:
Sónia Braga, primeira estrela da primeira novela de uma série sem fim.

Estávamos em 1975.
O país parou para seguir as aventuras e desventuras de Gabriela, Mundinho, Jerusa e Nacib.

Baseada no romance best-seller de Jorge Amado, a primeira novela brasileira transmitida em Portugal retratava a vida de Gabriela, uma rapariga simples do sertão baiano que foi para Ilhéus para fugir da seca nordestina.

Cabocla (filha de índia com branco) rebelde e ousada, andava descalça e com vestidos curtos, ora ingénua, ora sensual e namorava com um estrangeiro que cada vez menos tolerava o seu comportamento.

Não será exagero referir que Sónia Braga foi a primeira sex symbol brasileira exportada para deleite global.

Bem-vindo a Lisboa

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Os Primos de Lagos

Nascido e criado no Pinhal Novo fui desde cedo extremamente caramelo.
Não por dedicação às grandes causas pinhalnovenses, ou por exacerbada vocação para o associativismo, mas porque era mesmo caramelo, no sentido depreciativo do termo.
Consoante a geografia nacional também poderia ser considerado bimbo ou saloio, mas era caramelo, pronto.
Ponto.
Parágrafo.

O que é que faziam os caramelos no verão?
Iam para o Algarve.
E tinha que ser para acampar porque os caramelos não tinham dinheiro para hóteis, exceptuando uns quantos que herdaram a quinta dos papás.
E para acampar, leva-se a casinha de três assoalhadas dentro do mini e, com jeitinho, ainda se leva a avó e o béubéu bem atadinhos no tejadilho do carro, mesmo por cima da máquina de lavar.

O quartel-general de Cardosos e Balseiros foi, durante muitos anos, a Praia Verde.
Fica ali entre Tavira e Vila Real de Sto. António.
A mítica Praia Verde que, certamente, merecerá destaque especial nesta espécie de autobiografia.
Mas a foto amarelada aqui ao centro diz respeito a Lagos.
Em Lagos viviam - e ainda vivem - os primos da minha mãe e o seu filho, o Zé Tó.
O Zé Tó - nomenclatura que pede meças a um Quim Paulo, Quim Zé ou Zé Nando - era detentor de um vasto espólio de carrinhos imaculadamente estacionados em cima da sua cómoda imaculadamente limpa.

E quando juntava a isto uma orgia de bonecos de pelúcia na sua cama, chegava à conclusão que havia ali claros indícios de bicheza que o tempo, felizmente, não confirmou.

Mas por muito que eu agora zombe, tenho que dar a mão à palmatória.
Aquela família era, ainda nos anos 70, um exemplo de requinte e sofisticação que almejávamos copiar mas que a pesada herança caramela e ratinha (gente das Beiras) impedia de concretizar num prazo de duzentos anos.

Basta atentar na foto anexa e nem é necessário o recurso a uma lupa para enunciar aceleradamente tiques e adereços caramelos.
Em frente à estátua do navegador Gil Eanes, em Lagos, eis três estarolas vestidos a rigor para... para... uma sessão de terror no "Cowboyo Fantasma".

O meu pai aparece há 40 quilos atrás com um belo souvenir do Texas, a minha mãe com um vermelho tapa-cabeças que parece furtado a uma boite duvidosa e eu, o minúsculo pateta ao centro, com outro chapéu de cowboy azul.
Apareço em tronco nu, de pança ao léu, porque a fotografia ainda não estava suficientemente ridícula.
A minha mãe parece uma hippie que vestiu um cortinado púrpura e o meu pai está pronto a disparar uma qualquer piada brejeira guardada no coldre.

Consta que depois disto Gil Eanes fez-se novamente ao mar e ainda não voltou.

O Chão do Parque

sexta-feira, 23 de outubro de 2009


A
Sunsilk nasceu na Holanda, em 1956, e 12 anos depois chegava a Portugal este anúncio.


Uma cara bonita, um cabelo impecável e uma voz off que enumerava as qualidades do tal "Sunesilque".
É impressão minha ou deveria se ouvir "Sânesilque"?

O resto é pura poesia.
"Uma nuvem finíssima de Sunsilk fixa o penteado mas deixa os cabelos leves e você sente-se livre, LIVRE, LIVRE!!"

Sem dúvida uma forma dissimulada de desafiar a PIDE.
"Podem dizer para me calar, mas eu uso Sunsilk e sinto-me livre!
E agora vou ali lavar as meias do meu marido antes que leve nos cornos..."