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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Tesourinhos Fascinantes - O Walkman

Sou assumidamente melómano.
A música fez, faz e fará sempre parte da minha vida.
Mas não cheguei a ser o melhor amigo do walkman.

É claro que tive um ou dois, um tanto ou quanto desengraçados, não aqueles das cores garridas lançadas pela Sony.
Mas não utilizei o maravilhosos aparelho por aí além.

Lembro-me, ainda assim, de fazer umas corridas com uns na cabecinha e sei dizer que correr, enquanto temos música nos ouvidos, é dos bons prazeres desta vida.
Se estiver a correr e tiver música nos ouvidos, sem estar a utilizar um dispositivo musical, consulte um médico.

Foi a Sony quem criou o Walkman em 1979, fazendo com que, durante os Anos 80, pudésemos ouvir os nossos temas preferidos, sem incomodar ninguém.
É claro que, na  mesma década, era moda levar grandes rádios para a praia, incomodando toda a gente.
Adiante.

O primeiro walkman era azul e prateado.
Mais tarde surgiram concorrentes que não fizeram grande sucesso.
Pelo menos, o nome não ficou.
Quantos de vocês ouviram falar no Walky da Toshiba ou no Cassette Boy da Aiwa?

Depois de alguns anos em que a tecnologia seguiu sempre a máxima de quanto mais pequeno, mais sofisticado, voltou-se hoje a ouvir música com uns vistosos tapa-ouvidos, muito utilizados, por exemplo, pelos jogadores de futebol.
E, acreditem, agora que a Kizomba, o Kuduro e o Pagode tomaram tudo de assalto, não me interessa muito o que ouvem.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Tesourinhos Fascinantes - Os Minigames

Não havia PlayStations ou consolas como há hoje, mas o mundo electrónico já era feito de mudança.

Os videogames nos anos 80 deixavam de pertencer ao mundo dos jogos de arcadia - penso que é assim que se escreve - , aqueles saudosos monstros encaixotados e cheios de cores, blinks, tirilims e outros sons, que davam modernidade aos cafés ; ou a outros jogados no ecran do televisor com a ajuda de joysticks.

Os minigames eram quase todos japoneses, pouco maiores que um telemóvel (que não existia) feitos de cores apelativas, cinco ou seis botões e quase sempre com um Game A, mais simples, e um Game B, de dificuldade mais elaborada.

Começou a andar nas mãos de toda a gente, mas não me lembro de ter um especialmente bonito.

Mas invejava os do meu primo José Eduardo.

O sacana tinha dois ou três muito bons, daqueles que davam vontade de passar uma tarde a jogar, até torrar as pilhas de litium.

Num deles, o jogador jogava ténis com umas bolinhas que saíam de todas as direcções, primeiro uma ou outra, depois quatro ou cinco, até serem cada vez mais e ficarmos a chorar da vista, com os polegares em chamas e à beira de um ataque de epilepsia.

O outro era ainda mais catita e punha o famoso Snoopy a saltar de um lado para o outro.
Um jogo mesmo bonito, de que tenho muitas saudades, e pelo qual pagaria uma pipa de massa para voltar a tê-lo nas mãos, para voltar a jogar com ele, para voltar a jogar uma tarde inteira sem quaisquer responsabilidades ou restrições, excepto uma:

As palavras "Game Over".

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Tesourinhos Fascinantes - As Cassetes

Quem é que nunca gravou uma selecção de temas daqueles bem pirosos e peganhentos para conquistar uma miúda?

Possivelmente as leitoras deste blog que não têm tendências lésbicas.

Havia cassetes de ferro (eram duras para caramba), de crómio, de metal, ou até as que abafavam o ruído, o que foi importante para quem como eu foi ao ponto de usar um gravador de cassetes para gravar músicas da televisão, captando o toque da campainha, os carros a passar, os puns da mãe e até a buzina do padeiro.

Mas era da rádio que gravávamos a maior parte das músicas que compunham as nossas cassetes que eram depois catalogadas com requinte.

Os mais organizadinhos, como eu, numeravam a lombada e até se atreviam a desenhar as capas.

A que desenhei para o "Thriller" de Michael Jackson estava ao nível daquilo que o meu sobrinho fazia na Escola Primária.

Mas eram os "Especiais Anos 80" que eu adorava gravar e etiquetar.
Ainda estão lá para casa, numa improvisada prateleira no topo do armário onde estão guardadas algumas revistas de Walt Disney e os discos de vinil.

Na era dos downloads e música portátil em i-pods catitas, estou um passo atrás, usando e abusando dos cd´s que mataram as cassetes.

E não era muito complicado matar uma cassete.

Bastava agarrar-lhe na tripa magnética e esventrá-la com requintes de malvadez.
Era um óptimo momento anti-stress desde que a cassete não fosse nossa, claro.

O pior era quando as caixinhas de música cometiam elas próprias suicídio nas cabeças de leitura e gravação.
Cheguei canções do tipo dos Communards convencidíssimo que era o Rod Stewart.

E quando, por fim, o aparelho arrancava a fita, ficávamos passados e arrancávamos os cabelos, e é por por isso que restam poucos.
Sete.

Havia quem preferisse mandar as fitas para a rua, proporcionando belos efeitos de Carnaval tóxico, graças às serpentinas magnéticas que se viam aqui e ali.

Sendo um homem da rádio, as cassetes tornaram-se também instrumentos de trabalho, na altura em que se gravavam rm's com as declarações dos entrevistados.
Os rm's eram os "registos magnéticos, que nos tempos da Rádio Voz de Setúbal eram gravados nas cassetes promocionais das Selecções do Reader's Digest onde António Sala anunciava "Sucessos Românticos".

O dedo mindinho aqui do JP, mais pequeno que uma pevide de abóbora, era o suficiente para alinhar a fita e pô-la a tocar.

Como é que se fazia?
Colocava-se o dedo mindinho na bobine que tinha menos fita e rodava-se aquela pequena traquitana até deixar o início da fita a meio da superfície de leitura.

Foram os tempos aúreos do dedo mindinho.

Hoje dominam o dedo do meio - esticado para gente que nos azucrina a paciência nas estradas - e o polegar, o preferido das gerações mais jovens para jogar, enviar sms's ou pedir boleia.

Havia também, claro, as cassetes vídeo, esses enormes matrafolhos parecidos com tijolos, mas sobre essas velharias escreverei num outro dia.

Com o duplo deck da aparelhagem knockout e o auto-rádio do carro, idem, aliás todo o carro idem, resta-me olhar para as velhas cassetes enfileiradas como se fossem guerreiros de terracota de outras batalhas.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Tesourinhos Fascinantes - O Disco Voador

Quando eu fazia praia, há uma eternidade, lançar e apanhar o disco voador - ou frisbee como lhe chamam nos Estados Unidos ou no Brasil - era um dos melhores divertimentos que se podia ter na areia.

Os outros eram a inevitável futebolada ou "jogar às raquetes", como se designava dois parvos a bater numa bolinha, com duas espécies de pás de madeira ou plástico.

Fui razoavelmente bom em qualquer uma das "três modalidades", mas foi com o disco voador que fiquei mais perto de saber o que era voar.

Fossem discos lançados a quase 100 km/hora, fossem com efeito, o que eu gostava era de voar em grande estilo para apanhar o dístico de pvc, como se fosse o melhor guarda-redes do mundo, que é uma muito melhor comparação do que dizer que era parecido com um "bobi" muito bem treinado.

Ajudava ser jovem e ágil, tal qual o tipo da foto acima, e ajudava também ter um tapete de areia fofinha debaixo dos meus pés.

Como diria o meu pai quando vê os futebolistas andarem sempre a cair, se o chão estive cheio de vidros, não se caía assim.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Tesourinhos Fascinantes - Cubo Mágico

Muito antes das tabelas de Sudoku e dos impressos do IRS, houve um quebra-cabeças que se tornou rei e senhor dos nossos tempos livres, o Cubo Mágico.

A geringonça foi inventada em 1974 p'lo húngaro Erño Rubik que, reza a lenda, baseou-se no nosso 25 de Abril...
"Olha! Uma revolução dos cravos em Portugal! Cravos... cravos... cubo mágico! É isso"!

Só que o dito cubo, digo o dito cujo, só rebentou em força nos anos 80 em Portugal.

Primeiro, rebentou ; depois muitos rebentaram com ele, porque a traquitana exasperava quem se atrevia ao reque-reque agregador de faces cromáticas.

Eu próprio andei às turras com um cubo mágico e, se é verdade que ele nunca se deixou montar totalmente (esta frase ficou um bocadinho estranha...), eu também não me deixei ficar.

Como muitos outros trintões e quarentinhas, chegou uma altura em que eu agarrei na coisa ( esta também não soou bem...) e desmembrei-a, pensando que seria depois mais fácil colocar as seis faces coloridas bem ordenadas.
Nããã.... e era uma vez um cubo mágico.

Outra brilhante ideia que a malta tinha era a de descolar os autocolantes coloridos e colar os amarelinhos todos na mesma face, os vermelhos, os azuis e por aí adiante.
Mas nem todos desistiam tão facilmente e por toda a parte chegavam ecos de feitos cada vez mais heróicos:

* Pessoas que conheciam pessoas que tinham feito o cubo.

* Gente que tinha resolvido o cubo sem recurso a drogas.

* Gajos de óculos de fundo de garrafa que resolviam o cubo em poucos segundos.

* Cromos que eram convidados para resolver o quebra-cabeças no "Passeio dos Alegres"do Júlio Isidro.

* Competições europeias e campeonatos do mundo.

Lembro-me que, depois de ficar estupefacto com estas notícias, levantava o fofo do sofá e voltava para junto do meu velho cubo por resolver, sentindo-me imensamente obtuso, capaz de escrever uma carta para o Ministério da Educação para pedir uma reinscrição na Escola Primária.

A moda passou e não há, no remanso do lar, vestígios de tão peculiar objecto.

Os melhores cubos lá de casa, voltaram a ser os da Knorr...