Por mero acaso, reactiva-se este blog no dia em que o Sporting terá pela frente o todo-poderoso ataque do Manchester City, na 2ª mão dos Oitavos de Final da Liga Europa.
Recordamos hoje António Morato, um dos defesas centrais leoninos que marcou os Anos 80. E que falta ele faria hoje.
Curiosamente, houve dois Moratos no Sporting. O pai deste Morato jogou também como defesa, nos anos 60.
O que viaja hoje connosco na "Máquina do Tempo", jogou seis épocas de leão ao peito - 178 jogos ao todo - com Manuel Fernandes, Jordão e Oliveira, entre outros. Marcou seis golos.
Estreou-se em 1984 num Sporting x V. Setúbal. Despediu-se em 1989, no tempo do leão de unhas quebradiças de Jorge Gonçalves, sem ser campeão. De resto, pelo Sporting, conquistou apenas uma Supertaça.
Aqui fica ele em imagens, neste "Eternamente Sporting".
Luis Carlos Ferreira, o eterno Luisinho, patrão da defesa do Sporting, no final dos anos 80, princípio dos 90, foi um dos mais elegantes defesas centrais que passaram pelo clube leonino.
Infelizmente não conquistou qualquer título de verde e branco.
Não lhe faltava qualidade e currículo quando chegou ao Sporting.
Esteve no Campeonato do Mundo de 1982, disputado em Espanha, onde foi titular em todos os jogos, formando dupla com Óscar.
Chegou ao Sporting em 1989 já com 30 anos, mas rapidamente impôs a sua classe, cuja principal característica eram os cortes em 'souplesse'. Mas para além disso, que não é pouco, era inteligente a avaliar cada situação, tinha velocidade para rectificar as imprecisões dos seus colegas, era elegante no desarme e eficaz quando saía a jogar.
Ao serviço do Sporting Clube de Portugal, único clube europeu que representou, efectuou 98 jogos oficiais (82 dos quais a contar para o Campeonato Nacional) e apontou 4 golos: um dos mais importantes aconteceu em Bolonha (empate 1-1 na 1ª mão dos quartos-de-final da Taça UEFA de 1990/1991) que facilitou o acesso leonino à meia-final dessa competição, onde seria eliminado pelo Inter de Milão.
Regressou ao Brasil em 1992 para ainda vestir a camisola do Cruzeiro duas épocas.
Em 2005 foi eleito Secretário do Desporto e Lazer do seu estado-natal Nova Lima.
Em baixo, alguns momentos de Luisinho com a camisola leonina, incluindo o golo ao Bolonha, quando era Marinho Peres quem treinava a equipa.
Se bem que a frase seguinte não faça qualquer sentido, cá vai: Jordão era felino como uma gazela africana.
Jogador elegante, cavalheiro até, atlético, matador na grande área, foi um dos melhores pontas de lança da história do Sporting.
Num tempo em que poucos jogos eram transmitidos em directo, lembro-me de ser puto, e, colado ao rádio para ouvir relatos dos jogos do Sporting, vibrar com aqueles "Goooooooooloooo.... Sporting!.... Jordão!".
Ele, mais Manuel Fernandes e Oliveira, constituíram um tridente fantástico que, vejam só, até valeu títulos para o Sporting.
Nascido em Angola, em 1952, actualmente com 59 anos e dedicado aos mais contemporizados momentos de pintura, Rui Manuel Trindade Jordão, para além das centenas de golos com a camisola do leão ao peito - e também com outros dois equipamentos feios que não interessam ao Menino Jesus - foi também o principal artilheiro da mítica Selecção Nacional que tão boa conta de si deu no Euro' 84.
Foi o principal revitalizador das esperanças lusitanas - marcou dois golos nas meias-finais - num jogo discutido taco a taco com a França de Platini, e seguido aos bochechos numa televisão a preto e branco que havia num móvel da minha cozinha.
Aqui fica um pouco da arte de Jordão.
As imagens são de uma tarde de 19 de Abril de 1982. O Sporting venceu o Rio Ave por 7-1 e sagrou-se campeão.
Uma tarde de festa.
O pior é que foi preciso esperar 18 anos até viver algo parecido.
Foi um dos melhores guarda-redes de sempre do futebol português. Elegante entre os postes, chegava às bolas mais difíceis fazendo uso de uma elasticidade felina, voos desenhados numa tela de relva.
Coincidiu no tempo com "o seu grande rival encarnado" Manuel Bento, que muitas vezes lhe roubou injustamente o posto de nº 1 de Portugal. Os dois desapareceram prematuramente dos relvados da vida.
Damas apenas conquistou dois campeonatos e três taças pelo Sporting, tal como muitos outros craques que, sempre tiveram a honra de vestir a camisola verde e branca, tiveram ao mesmo tempo o azar de apanhar pela frente alguma supremacia encarnada da década de 70 e 80 e depois a avalanche de títulos portistas.
Nos anos 70 jogou no estrangeiro pelo Racing Santander.
Voltou a Portugal para jogar pelo Vitória de Guimarães entre 1980/81 e 1982/83, e o Portimonense, em 1983/84. Regressou ao Sporting entre 1984/85 e 1988/89, onde terminou a sua carreira.
Damas jogou 29 vezes pela equipa nacional, tendo-se estreado a 6 de Abril de 1969 e fazendo o último jogo pela selecção em 11 de Julho de 1986.
No Campeonato do Mundo de 1986, de má memória, substituíu Manuel Bento, quanto este fracturou uma perna.
Faleceu em 2003, com apenas 55 anos, vítima de cancro.
Como não sou do tempo do Carvalho, ou do Azevedo, e com a permissão de Meszaros e Schmeichel, posso dizer que o Vitor Damas foi o melhor gurada-redes que vi defender a baliza do Sporting.